sexta-feira, 6 de março de 2015

Cambodia e seus traumas do passado

Nem tudo são flores quando se viaja pela Ásia, antes pelo contrário, histórias de guerra, pobreza, trabalho escravo, direitos humanos nulos, entre outra sorte de desgraças fazem parte do aprendizado. É claro que você sempre tem a opção de ligar o modo poliana e ver tudo cor de rosa, mas ainda bem que meu senso crítico, aliado a minha veia jornalística torna isso bem difícil.

Não teria como deixar de conhecer o Cambodia ignorando o fato de que há menos de 30 anos aquele país foi palco de umas das maiores tragédias da humanidade, um genocídio comparado a segunda guerra mundial, que matou um terço da população do país, ou seja, cerca de 3 milhões de Cambojianos em apenas 3 ANOS, durante o governo de Pol Pot.

É muito deprê contar essa história, mas não tem como não pensar nisso quando se está lá, é quase como se uma atmosfera densa habitasse o ar, uma ferida aberta, uma veia sangrando, uma aberração inexplicável, um psicopata comandando o país e matando seus próprios compatriotas. 

Na ocasião desse genocídio o mundo vivia o auge da guerra fria: comunismo versus capitalismo. No país vizinho ao Cambodia acontecia a guerra entre os EUA e o Vietnam, e como não poderia deixar de ser isso acabou fortalecendo o partido comunista no Cambodia, cujo mentor era conhecido como Pol Pot. 

O país vinha sofrendo sucessivas guerras civis, estava uma bagunça e o povo dividido, não sabia em quem confiar para o comando da nação. Numa dessas reviravoltas, enquanto o rei estava fora, houve um golpe de estado que colocou Pol Pot no poder sob o comando de um partido, ou exército, chamado Kmer Rouge ou Kmer vermelho.

Por algumas horas a população se sentiu aliviada, imaginando um futuro melhor. Mas ainda no mesmo dia o Kmer Rouge mostrou a que veio, começando assim o banho de sangue que inundaria o país nos próximos anos.

O Kmer Rouge começou a evacuar as cidades com o propósito de descentralizar o poder, evitando assim uma possível retaliação ao novo regime. Para isso transportou a população dentro de caminhões aos campos de concentração, enquanto se apoderava de seus bens, como motos, carros e casas, com a justificativa que serviria ao partido. 

Imediatamente famílias inteiras foram removidas de suas cidades natais e levadas a lugares ermos e com péssima infra-estrura, algumas famílias se perderam no meio do caminho, e foram levadas para lugares diferentes.  Nos campos eram obrigadas a trabalhar reconstruindo vilas, onde seriam reeducadas sob os dogmas do partido.


Obrigadas a trabalhar para o Kmer Rouge, passavam fome, pois não havia comida suficiente para todos, e muitas vítimas começaram a morrer de inanição, ou, devido a baixo resistência, eram facilmente abatidas por doenças e não conseguiam sobreviver. Os mais rebeldes eram levados para uma reeducação especial na floresta e nunca mais voltavam. Até hoje são descobertos dezenas de esqueletos nas florestas Cambojianas. 

Caso a pessoa tivesse diploma, ou qualquer educação superior, era executada imediatamente. Para o Kmer as pessoas com nível educacional elevado representavam perigo aos ideais igualitários do partido, dessa maneira, quase todos os intelectuais do Cambodia se extinguiram, não deixando o país com grande possibilidades de crescimento futuro.

Aos poucos famílias inteiras iam morrendo de fome, doenças, assassinatos e toda sorte de desgraças num prazo de apenas 3 anos. 

Isso acabou graças ao partido comunista do Vietnã, que invadiu o país e tirou o Kmer Rouge do poder. Alguns anos depois o Cambodia se tornou uma democracia, mas segundo as palavras do jornalista italiano que cobriu a Ásia por décadas, Tiziano Terzani, o Cambodia precisa de curandeiros e psicoterapeutas, mais do que de democracia.

Não cabe a mim entender tamanha loucura, mas não pude deixar de contextualizar o que vi com o que aconteceu no passado. Infelizmente o Cambodia é um dos países mais pobres do sudeste asiático, além de lindo e muito interessante. 

Seguem as fotos do museu do genocídio, visita quase obrigatória na capital Knom Pnem, lugar ultra triste, mas que serve de memória para que isso não se repita.
Foto de vítima de tortura

Quarto aonde presos eram torturados.
Roupas das vítimas
foto das vítimas

Cela onde ficavam os presos.


quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Norte da Tailândia, Chiang Mai e Pai

Além do curso de massagem Chiang Mai oferece um passeio pela jaula dos tigres, segundo o staff de lá, os tigres não estao dopados, apenas se acostumaram ao contato humano e ao treinador, pois estão lá desde o nascimento e após 30 mêses o felino é aposentado, podendo assim desfrutar da vida familiar entre outras selvagerias, sem o stress de posar para fotos com turistas exibicionistas, como eu por exemplo, só não entendi muito bem para onde eles vão. Tenho minhas dúvidas se agi éticamente ao visitar esses animais, no entanto não resta dúvida de sua beleza estonteante.








Depois de Chiang Mai fui conhecer Pai, uma cidade nas montanhas, tida com um dos highlights Tailandeses. Confesso que deixou muito a desejar comparado as cidades montanhosas brasileiras, fui cheia de expectativas e encontrei um lugar ultra turístico, com cachoeiras de difícel acesso e sem o charme genuíno de uma cidade nas alturas. Pelo menos pude passar algumas horas com esse gigante ai da foto abaixo e curtir um visus maneiros. 











domingo, 25 de janeiro de 2015

Massagem Tailandesa

Me lembro perfeitamente a primeira vez, estava andando na praia em Ko Samui, era minha segunda semana na Tailandia e meus primeiros dias na praia. Uma mulher se aproximou e disse:

---- Thaiiiiii massaaaageeeee!!!!?

Eu disse, oh, I like strong, let me try.

Então ela pressionou meu braço com seu dedão. Naquele instante senti um intenso prazer e pensei, nossa, essa mulher é boa, tem a pegada. Então eu disse a ela “amanhã eu volto. Nesse mesmo horário.”

Noutro dia voltei. Queria ela, queria aquele toque. Essa é a mágica da boa massagista, num simples aperto ela consegue te arrematar para sempre. 

Ela não estava lá. Era um lugar em frente a praia. Um bangalô com uns colchões no chão com vista para o mar. O sol brando, perfeito para encerrar o dia com uma bela massagem.

Perguntei por ela, em alguns segundos as massagistas se comunicaram e ela veio correndo, com um sorriso no rosto, segura de si, feliz, de quem sabia que tinha ganhado uma cliente.

Assim foi minha primeira massagem tailandesa. Em alguns segundos ela tinha meu corpo em suas mãos e o manipulava com maestria, destreza, precisão e intensidade. Foi a melhor massagem da minha vida. Naquele momento soube o poder da Thai massage. Essa arte milenar que merece todo meu respeito bem como suas executoras.

O domínio da anatomia era total, meu esqueleto virou um mero instrumento para tamanha sabedoria. Pontos de energia, tensão, toques diversos, alongamentos… um repertório infinto de tateamentos e estralos. Meu corpo era pressionado com precisão por dedos, cotovelos, palma da mão e sola dos pés…. 

Em menos de 20 minutos parecia que ela já me conhecia há décadas, não existia mais mistério, era um corpo inteiro entregue aos prazeres e dores da massagem tailandesa.

Depois de uma hora sai de lá em transe, em êxtase, pela primeira vez pude entender o quão poderosa é uma massagem. Meu estado de gratidão pela massagista me deixou sem palavras. Uma gorda gorjeta não foi suficiente para descrever. 

Bangalôs de massagem em frente ao mar
Uma massagem é antes de tudo um ato de amor, de entrega, de rompimento de barreiras, conceitos, preconceitos. Um ato de humanidade incondicional, de entender aquele corpo com sendo o seu corpo e massageá-lo a fim de curá-lo.


A massagem tailandesa é considerada como medicina e respeitada religiosamente. Vastamente ensinada nos mosteiros. Esse tipo de massagem tem objetivo de aumentar a flexibilidade e fortalecer as articulações.

Atualmente também um trunfo para angariar turistas. 

Chiang Mai é a cidade da massagem tailandesa, lá é possível encontrar inúmeros lugares oferecendo o serviço por preços menores que no sul, bem como cursos. Foi lá que fiz o meu, bem puxado por sinal, 6 horas por dia durante 5 dias. Uma das professoras era uma tailandesa durona, bem brava. A outra mais doce. 

Meus colegas de curso era um italiano que falava chinês, pois morou lá uns tempos e tinha uma tatuagem gigante de dragão cobrindo as costas. E uma chinesa de Taiwan, que, segundo ela, não se considera chinesa e não considera Taiwan como china. Eles eram bem divertidos.
Colegas de curso na hora do almoço

Durante o curso recebemos uma apostila, a minha está cheia da anotações. Agora o negócio é massagear o povo para treinar. Estou adorando esse universo das massagens, pretendo aprender muitas outras técnicas e no futuro me profissionalizar.


Além do curso de massagem Chiang Mai oferece um passeio pela jaula dos tigres, segundo o staff de lá, os tigres não estao dopados, apenas se acostumaram ao contato humano, pois estão lá desde o nascimento, e após 30 mêses o felino é aposentado, podendo assim desfrutar da vida familiar entre outras selvagerias, sem o stress de posar para fotos com turistas exibicionistas, como eu por example. Tenho minhas dúvidas de agi éticamente ao visitar esses animais, no entanto não resta dúvida de sua beleza estonteante.















Railway


Meu último destino no litoral da Tailândia foi Railway, fale-se reley. Queria sair um pouco do circuito golfo da Tailândia (Ko Samui, Ko Pangan e Ko Tao), e ir para os lados de Krabi, ao mesmo tempo com objetivo de fugir dos destinos excessivamente turísticos, conhecido por festas e prostituição. Railway tem fama de ser tranquilão, um oásis no meio de Krabi. 

Meu caminho até lá que foi um tanto caótico, sendo tratada como um saco de arroz furado, jogada de carro em carro até chegar. Num deles o motorista era um alucinado que devia estar drogado, corria muito e não tinha o menor respeito pelas vidas que estava levando. Não pense que os turistas são super bem tratados na Tailândia não. Quanto mais turístico o local, pior o tratamento.

Felizmente minha experiência em Railway foi mais pacífica, os nativos eram bem cordiais e o lugar é de fato  diferente. Devido as formações rochosas exuberantes é o destino predileto dos escaladores. Railway está encrustado num vale, rodeado por pedras e montanhas, o que torna a paisagem um interessante misto de montanha com praia.









Outra surpresa interessante foi Poda Island, o lugar foi cenário de um dos filmes de James Bond, só se tem acesso de barco,  é um parque nacional lindissímo, com macacos e um snorkeling de qualidade.  
Praia onde foi gravado 007

Formações rochosas típicas da região.


A caminho de Poda Islands
                                                                                          

Placa indicando até onde chegaram as ondas no Tsunami.

Macaco na ilha

Atacando batata e melancia roubada dos turístas.
A foto abaixo mostra como e a fiação em Railway. Altamente precária.  Esse emaranhado de fios é encontrado por toda a região e muitas vezes emana um som zzzzzzz.